Direito de Família

União Estável: Direitos e Formalização

Conheça os direitos e deveres dos companheiros, os regimes de bens, e como formalizar a união estável de forma segura.

Art. 1.723
CC
Entidade Familiar
Reconhecida
Proteção Legal
Completa
💕

Direitos Reconhecidos

Iguais ao do casamento.

📋

Deveres Mútuos

Assistência e lealdade.

🔒

Segurança Jurídica

Formalização recomendada.

União Estável: Direitos, Deveres e Formalização

Guia Completo sobre a Proteção Jurídica da União Estável

Direito de Família · União Estável · Publicado em 11 de junho de 2026

1. O que é União Estável?

A união estável é reconhecida pela legislação brasileira como entidade familiar formada pela convivência pública, contínua, duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

O reconhecimento da união estável independe de prazo mínimo de convivência ou da existência de filhos, sendo necessária a demonstração dos elementos que caracterizam a vida em comum.

A Constituição Federal e o Código Civil garantem proteção jurídica aos companheiros, assegurando diversos direitos patrimoniais e pessoais.

2. Direitos dos Companheiros

Uma vez configurada a união estável, os companheiros passam a possuir direitos semelhantes aos do casamento em diversos aspectos.

Entre os principais direitos estão:

  • Direito a alimentos entre companheiros: Assistência financeira mútua.
  • Direito à partilha de bens: Distribuição do patrimônio.
  • Inclusão em planos de saúde: Quando admitido pela operadora.
  • Benefícios previdenciários: Pensão por morte e outras proteções.
  • Direito à herança: Conforme as regras sucessórias vigentes.
A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores reconhece ampla proteção jurídica às relações de união estável, inclusive às uniões homoafetivas.

3. Deveres dos Companheiros

A convivência em união estável gera deveres recíprocos semelhantes aos existentes no casamento.

Entre eles destacam-se:

  • Respeito mútuo: Consideração no relacionamento.
  • Assistência moral e material: Apoio em todas as formas.
  • Lealdade: Fidelidade e confiança.
  • Cooperação para manutenção da família: Trabalho conjunto.
  • Sustento e educação dos filhos: Quando existirem.

O descumprimento desses deveres pode gerar repercussões jurídicas em determinadas situações.

4. Regime de Bens na União Estável

Na ausência de contrato escrito dispondo de forma diferente, aplica-se automaticamente o regime da comunhão parcial de bens.

Nesse regime:

  • Bens adquiridos durante a convivência: Tendem a ser partilhados igualmente.
  • Bens anteriores à união: Permanecem de propriedade exclusiva de cada companheiro.
  • Heranças e doações recebidas individualmente: Normalmente não integram a partilha.

A análise concreta pode variar conforme as circunstâncias e as provas produzidas.

5. Como Formalizar a União Estável

A formalização pode ocorrer por meio de escritura pública lavrada em cartório.

Nesse documento, os companheiros podem:

  • Declarar a existência da união: Formalizar a relação.
  • Estabelecer a data de início da convivência: Precisar o ponto de partida.
  • Definir regime de bens: Escolher entre comunhão ou separação.
  • Regulamentar aspectos patrimoniais: Detalhar a relação econômica.

Embora a escritura pública não seja requisito para a existência da união estável, ela contribui significativamente para a segurança jurídica das partes.

6. Reconhecimento Judicial da União Estável

Quando não há formalização prévia ou existe controvérsia entre os envolvidos, a união estável pode ser reconhecida judicialmente.

Nesses casos, poderão ser utilizadas diversas provas, como:

  • Documentos bancários: Contas conjuntas ou transferências.
  • Declarações de imposto de renda: Indicativo da convivência.
  • Comprovantes de residência: Endereço comum.
  • Fotografias: Vida em comum.
  • Testemunhas: Relatos de pessoas que conviveram com o casal.

A análise do conjunto probatório permitirá ao juiz verificar a existência dos requisitos legais da união estável.

7. Conclusão

A união estável é uma forma legítima de constituição familiar amplamente protegida pelo ordenamento jurídico brasileiro. O conhecimento dos direitos e deveres dos companheiros é fundamental para garantir segurança jurídica, prevenir conflitos e assegurar a adequada proteção patrimonial e familiar dos envolvidos.

Fundamentação Legal

  • Constituição Federal de 1988 - Arts. 226 e 227
  • Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002) - Arts. 1.723 a 1.727
  • Lei nº 9.278, de 10 de maio de 1996 (Lei da União Estável)
  • Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015)
  • Jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça
  • Jurisprudência sobre Uniões Homoafetivas - STF
Falar no WhatsApp