Multa Rescisória de 40% do FGTS – Guia Completo
Direito do Trabalho · FGTS

Multa de 40% do FGTS: tudo o que você precisa saber

Entenda quem tem direito, como é calculada a indenização e quais são as exceções previstas na lei para a multa rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

FGTS
⚖️

Direito garantido por lei

Previsto na Lei nº 8.036/1990 e assegurado pela Constituição Federal de 1988.

💼

Aplica-se à demissão sem justa causa

Toda dispensa imotivada pelo empregador gera obrigação de pagamento da multa.

📋

Saques anteriores não reduzem a multa

Conforme OJ nº 42 do TST, o cálculo reconstitui virtualmente todo o saldo histórico.

A Multa Rescisória de 40% do FGTS

Direitos, Cálculo e Casos Especiais

Direito do Trabalho · FGTS · Publicado em 28 de maio de 2026

1. Introdução ao FGTS e o Conceito da Multa Rescisória de 40%

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) funciona como uma proteção financeira muito importante para quem trabalha de carteira assinada. Criado para dar segurança ao trabalhador que perde o emprego, esse fundo é alimentado por depósitos mensais que a empresa faz em uma conta da Caixa Econômica Federal. O mais importante é que esse valor é pago pela empresa/empregador, sem desconto no salário do trabalhador, de acordo com as regras da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990.

A importância do FGTS é tão grande que ele está garantido na Constituição Federal de 1988 como um direito social fundamental de todos os trabalhadores urbanos e rurais. Esse saldo acumulado serve como uma reserva para momentos difíceis, mas também é usado pelo governo para financiar obras de moradia popular, saneamento básico e infraestrutura em todo o país.

Quando o trabalhador é demitido sem justa causa, a lei prevê uma proteção financeira extra chamada multa rescisória de 40%. Esse mecanismo serve para compensar a perda do emprego de forma inesperada. O trabalhador demitido sem justa causa tem o direito de receber uma indenização equivalente a quarenta por cento de tudo o que a empresa depositou ao longo do contrato de trabalho.

Para o trabalhador, o dinheiro ajuda a pagar as contas básicas e a manter a dignidade da família durante a busca por um novo emprego. Para o empregador, a multa funciona como um limite, desestimulando demissões sem justificativa real e ajudando a manter a estabilidade no trabalho. Conhecer as regras dessa multa evita prejuízos de lado a lado.

2. Quem Tem Direito à Multa de 40%?

Nem toda demissão dá direito à multa rescisória de 40% do FGTS. A lei reserva essa proteção financeira apenas para os casos em que o trabalhador não teve culpa pelo fim do contrato de trabalho. Isso garante que a indenização cumpra seu papel de proteger quem perdeu o sustento sem ter dado causa ao término da relação de emprego.

A situação mais conhecida é a dispensa sem justa causa por iniciativa do empregador. Se a empresa decide demitir o funcionário sem que ele tenha cometido um erro grave, ela deve pagar a multa compensatória de 40%, calculada sobre todos os depósitos devidos ao longo do período trabalhado.

O trabalhador também recebe a multa na rescisão indireta, conhecida como a justa causa do patrão. Se a empresa comete faltas graves — como atrasar salários repetidamente ou exigir serviços perigosos não previstos em contrato —, o funcionário pode pedir a rescisão na Justiça com base no artigo 483 da CLT. Uma vez reconhecido o erro do empregador, o trabalhador sai com todos os direitos de uma demissão sem justa causa, inclusive a multa de 40%.

Muitos têm dúvidas sobre a aposentadoria espontânea. A Orientação Jurisprudencial nº 361 da SDI-1 do TST deixa claro que se aposentar não encerra o contrato de trabalho. Se o profissional continua trabalhando na mesma empresa e depois é demitido sem justa causa, ele tem direito à multa de 40% calculada sobre o saldo de todo o período.

Por outro lado, o pedido de demissão por parte do trabalhador e a dispensa por justa causa com base no artigo 482 da CLT são situações que excluem o direito à multa de 40%. Nesses casos, como a empresa não deu causa de forma injustificada ao fim do contrato, ela fica dispensada de pagar essa indenização.

3. Como é Calculada a Multa de 40%?

Para calcular o valor da multa de 40%, o artigo 18, § 1º, da Lei nº 8.036/1990 estabelece que o cálculo deve considerar todos os depósitos devidos durante o contrato de trabalho, atualizados e com juros. Isso significa que a base de cálculo não é apenas o saldo disponível no dia da demissão, mas sim o saldo histórico acumulado ao longo de todo o tempo de serviço.

Muitos trabalhadores realizam saques ao longo do contrato — seja para compra da casa própria, por doenças graves ou pelo saque-aniversário. O TST garante, por meio da Orientação Jurisprudencial nº 42, item I, da SDI-1, que esses saques não diminuem o valor da multa. Para calcular os 40%, a empresa deve somar virtualmente tudo o que foi sacado de volta ao saldo da conta vinculada.

Uma regra importante definida pelo TST no Tema Repetitivo 255 e na OJ nº 42, item II, da SDI-1, é que a projeção do aviso-prévio indenizado não entra no cálculo da multa de 40%. A base de cálculo é apurada apenas sobre os depósitos reais devidos até o dia do acerto, sem a projeção fictícia desse período final.

O documento oficial para conferir se o cálculo está correto é o extrato de fins rescisórios, emitido pela Caixa Econômica Federal. Esse documento traz o valor exato para fins rescisórios, servindo como guia seguro para que as empresas façam o pagamento correto e os trabalhadores consigam conferir seus direitos.

4. Exceções e Casos Especiais: Hipóteses de Redução

Existem situações em que a multa rescisória do FGTS é reduzida pela metade, caindo para 20% do saldo devido.

A hipótese mais comum de redução é a demissão por acordo comum, criada pela Reforma Trabalhista no artigo 484-A da CLT. Nesse tipo de desligamento por consenso entre as partes, o trabalhador recebe a multa reduzida e pode sacar até 80% do fundo de garantia, mas não tem direito ao seguro-desemprego.

A redução para vinte por cento também ocorre na culpa recíproca, que acontece quando o trabalhador e o patrão cometem faltas graves ao mesmo tempo. Conforme o artigo 484 da CLT e a Súmula nº 14 do TST, o reconhecimento dessa situação em juízo faz com que as indenizações rescisórias sejam pagas pela metade.

O mesmo percentual reduzido se aplica nos casos de força maior, definidos nos artigos 501 e 502 da CLT como acontecimentos inevitáveis que forçam o fechamento definitivo da empresa. Contudo, a Justiça do Trabalho é muito rigorosa na análise desses casos, exigendo provas reais do colapso econômico-financeiro para autorizar a redução da multa.

5. FAQ: Perguntas Frequentes

Não. O trabalhador que opta pelo saque-aniversário mantém integralmente o direito à multa rescisória de 40% em caso de demissão sem justa causa. A única diferença é que, no momento do desligamento, ele saca apenas o valor da multa rescisória, deixando o saldo restante da conta para ser retirado nos saques anuais seguintes.
Conforme o artigo 477, § 6º, da CLT, o empregador tem prazo máximo de 10 dias corridos, contados a partir da data de término do contrato de trabalho, para pagar a multa do FGTS e todas as verbas rescisórias. O atraso gera o pagamento de uma multa equivalente a um salário do empregado, nos termos do artigo 477, § 8º, da CLT.
Se o contrato de aprendizagem chegar ao fim naturalmente no prazo acordado, o jovem não recebe a multa de 40%, embora possa sacar o saldo guardado. No entanto, se o patrão demitir o jovem aprendiz antes do prazo final do contrato sem justificativa, fica configurada a dispensa imotivada, dando direito ao pagamento da multa de quarenta por cento.
Não. A multa de 40% é uma despesa que cabe exclusivamente ao empregador. Qualquer tipo de desconto ou abatimento no salário do trabalhador para compensar esse custo é ilegal, violando o princípio da proteção e intangibilidade do salário.
Se a empresa não pagar a multa no prazo de dez dias, o trabalhador deve procurar o setor de recursos humanos para tentar uma solução amigável. Se não resolver, o funcionário pode registrar uma reclamação na fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, buscar auxílio no sindicato ou propor uma ação na Justiça do Trabalho por meio de um advogado.

6. Referências

Legislação

  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República, 1988. Disponível em: planalto.gov.br. Acesso em: 28 maio 2026.
  • BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho. Rio de Janeiro, 1943. Disponível em: planalto.gov.br. Acesso em: 28 maio 2026.
  • BRASIL. Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990. Dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Brasília, DF, 1990. Disponível em: planalto.gov.br. Acesso em: 28 maio 2026.

Jurisprudência

  • BRASIL. TST. Súmula nº 14 – Culpa recíproca. Brasília, DF, 1953. Disponível em: tst.jus.br. Acesso em: 28 maio 2026.
  • BRASIL. TST. Tema Repetitivo nº 255. Brasília, DF, 2021. Disponível em: tst.jus.br. Acesso em: 28 maio 2026.
  • BRASIL. TST. Orientação Jurisprudencial nº 42 da SDI-1 – Multa de 40% do FGTS. Brasília, DF, 1995. Disponível em: tst.jus.br. Acesso em: 28 maio 2026.
  • BRASIL. TST. Orientação Jurisprudencial nº 361 da SDI-1 – Aposentadoria espontânea e Multa de 40%. Brasília, DF, 2008. Disponível em: tst.jus.br. Acesso em: 28 maio 2026.
Falar no WhatsApp
Assinatura – Tondineli Advocacia